Novae: Mentes Libertas (As farsas do “mercado”)

FSM 2005
Mentes Libertas
As farsas do
“mercado”
Por Hazel Henderson
O pr�mio Nobel est� a servi�o de um Banco desde 1969;
A economia n�o � uma ci�ncia, � uma profiss�o;
Dados macroecon�micos como PIB e PNB escravizam povos;
Sacerdotes do “Consenso de Washington” est�o nus;
FSM 2005 � exerc�cio de liberta��o.
O grande e finado Bob Marley que lan�ou o reggae jamaicano no mundo, cantava em um de seus sucessos…“emancipem-se de sua escravid�o mental – somente n�s � que podemos nos libertar”. Esse � o esp�rito do F�rum Social Mundial e a promessa de nosso futuro humano, nutrido em Porto Alegre – o agora destino chique do turismo no Brasil. Um dos maiores avan�os na liberta��o de nossas mentes est� no despir dos falsos sacerdotes da economia e na descren�a de suas formulas simplistas para o crescimento econ�mico. Conhecido como o “Consenso de Washington” (do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, do Banco Mundial e do FMI – Fundo Monet�rio Internacional) essas pol�ticas causaram danos e mis�ria inestim�veis a milh�es de pessoas em pa�ses cujos l�deres foram seduzidos, intimidados ou tentados a seguir seus conselhos.

Um outro avan�o enorme para a liberta��o mental foi a den�ncia do chamado “Pr�mio Nobel Memorial da Economia” depois das premia��es Nobel em dezembro 2004. O principal jornal sueco Dagens Nyheter na sua edi��o de 10 de dezembro de 2004 publicou uma s�rie de editoriais escritos por reconhecidos matem�ticos, criticando o pr�mio. Exigiam que a sua real identidade “Pr�mio do Banco da Su�cia em Ci�ncias Econ�micas em mem�ria a Alfred Nobel” fosse revelada. Esse pr�mio de milh�es de d�lares nunca foi um Nobel, e sim arrumado pelo Banco em 1969 para atender alguns reclamantes para quem a economia tinha se tornado uma ci�ncia sofisticada pelo uso de modelos matem�ticos.

Depois do artigo do Dagens-Nyheter, o debate continuou em meu editorial da IPS – Inter Press Service sob o t�tulo “Pela aboli��o do Pr�mio Nobel de Economia” no qual eu entrevistei com exclusividade Peter Nobel, que revelou, como herdeiro de Alfred Nobel, ter ido contra o que ele chamou de “Viola��o feita pelo Banco da Su�cia ao nome e � marca Nobel”. Outros cientistas de destaque compraram a briga. O f�sico e pensador sist�mico Fritjof Capra aderiu ao debate.

O tamb�m not�vel f�sico Hans Peter Durr do Instituto Marx Planck de Munique disse: “A economia n�o � nem uma ci�ncia ruim. Seus modelos s�o simplesmente incorretos”. L�deres do novo grupo de cientistas p�s-darwinistas ( www.thedarwinproject.com ) e o psic�logo David Loye, autor do livro “A Teoria de Amor Perdida de Darwin” e a cientista e advogada Riane Eisler, autora de “O C�lice e a Espada“, ponderaram em suas respectivas vis�es sobre a economia, como sendo “uma profiss�o que precisa de uma revis�o conceitual, em vez de ser uma ci�ncia”.

A derrubada do sacerd�cio da economia continua no Le Monde Diplomatique – edi��o de fevereiro 2005, e na s�rie de TV Ethical Markeplace nos Estados Unidos, no Brasil e outros pa�ses. Uma outra liberta��o mental da falsa m�stica da economia aconteceu em 2003 na primeira “Confer�ncia Internacional sobre a Implementa��o de Novos Indicadores de Sustentabilidade e Qualidade de Vida” sediada em Curitiba. Cerca de 700 estat�sticos de m�ltiplos campos, desde a epidemiologia at� os direitos humanos, pesquisa de exclus�o social, an�lises de pegadas ecol�gicas e indicadores de qualidade de vida consensuaram em ir al�m dos dados macroecon�micos e de �ndices como PIB e PNB.

Como parte da revis�o, o consenso da confer�ncia se baseou na id�ia de que, na quest�o dos ativos, as contas do PIB e do PNB deveriam contabilizar democraticamente nos or�amentos nacionais, a infraestrutura gerada pelo pagamento dos impostos: saneamento b�sico, sa�de, escolas, estradas, portos, desenvolvimento urbano,etc. Esses ativos vitais de infraestrutura deveriam ser amortizados no decorrer de sua vida �til – normalmente 50 anos ou mais. Essa corre��o pontual (feita nos EUA em 1996 e no Canada em 1999) reduz a “d�vida” p�blica em um ter�o ou at� pela metade, e ainda melhorando o balan�o de pagamentos do pa�s e reduzindo as taxas de juros comprometidas. O Brasil conseguiu convencer o FMI da necessidade dessas mudan�as nos modelos do Fundo.

Devemos lembrar que a economia n�o � uma ci�ncia mas uma profiss�o, precisando de padr�es mais elevados de responsabilidade e de uma completa revis�o te�rica. Recentemente, eu realizei um semin�rio juntamente com a Funda��o Dag Hammarskjold da Su�cia, que reuniu muitos dos mais s�bios pensadores e estrategistas nas quest�es da globaliza��o. Muitos deles, Vandana Shiva, Walden Bello e outros… estar�o no Forum Social Mundial. Nesse nosso semin�rio concordamos sobre a necessidade de se elucidarem os limites da economia como uma profiss�o de pol�ticas p�blicas e tamb�m sobre a necessidade de quebrarmos sua domin�ncia sobre as decis�es p�blicas e privadas. Portanto, pode ser reaberto um espa�o para trazer muitas outras disciplinas relevantes sob abordagens mais sist�micas no �mbito das pol�ticas sociais.

Pesquisadores nas �reas de sa�de, educa��o, assist�ncia social, rela��es trabalhistas, reforma corporativa, antropologia, planejamento urbano, energias renov�veis, biodiversidade e ecologia s�o todos necess�rios no mix das pol�ticas p�blicas em sociedades complexas. Tais pesquisas multidisciplinares j� eram produzidas regularmente pelas equipes das quais eu fiz parte no Departamento de Pesquisas Tecnol�gicas dos Estados Unidos (Office of Technology Assessment), em Washington de 1974 a 1996. Mas ent�o, os fundamentalistas republicanos de mercado laissez faire no congresso americano finalmente conseguiram encerrar as atividades do OTA. Ainda bem que ainda podemos encontrar a prova dessas pesquisas com uma ampla gama de op��es de pol�ticas p�blicas, em CD-ROMs dispon�veis no governo americano.

A relev�ncia de tais ferramentas est� se tornando cada vez mais evidente em nosso novo s�culo, com sua interatividade global se acelerando atrav�s de jatos, sat�lites, computadores, m�dia de massa, enormes fluxos financeiros e monet�rios desregulamentados – e o crescimento das amea�as das armas de destrui��o em massa.

Nenhuma disciplina isolada poderia mapear tais complexidades, muito menos a economia, ainda amplamente baseada em id�ias e modelos obsoletos dos s�culos 18 e 19.

A Funda��o Dag Hammarskjold j� havia reacendido em 1999 o debate, na publica��o canadense ETC Century de Pat Roy Mooney, propondo um novo olhar sobre a pr�tica da pesquisa tecnol�gica e como as novas tecnologias de hoje – da clonagem aos organismos geneticamente modificados e a militariza��o do espa�o – podem ser colocadas � luz de suas consequ�ncias sociais – antes de serem desencadeadas.

Esse esfor�o � vital para que novos protocolos, padr�es e tratados internacionais direcionem a ci�ncia e a tecnologia a servi�o das propostas de um desenvolvimento humano equitativo dentro da toler�ncia dos ecossistemas naturais de apoio � vida.

A Funda��o Dag Hammarskjold em parceria com o Focus on the Global South (Foco no Sul Global) continua o seu programa “What�s next in Economics” ( O que vir� na economia) durante o F�rum Social Mundial 2005, com as presen�as de Walten Bello e John M. Perkins, autor do novo best-seller “Confiss�es de um mercen�rio da economia”. A programa��o tamb�m inclui diversos programas de TV da s�rie Ethical Markets, nos quais eu modero um debate sobre “A reforma das finan�as internacionais” com John Perkins, Kenneth Rogoff, at� recentemente o economista-chefe do FMI e Sakiko Fukuda, autora do Relat�rio do Desenvolvimento Humano das Na��es Unidas (evento 2388 “Economias soberanas para os Povos” e evento 2396 “A caminho da constru��o de uma ordem democr�tica internacional – no dia 30 de janeiro).

HAZEL HENDERSON, futurista, autora de “Al�m da Globaliza��o” e outros livros, parceira do Calvert Group de fundos de responsabilidade social nos EUA na cria��o dos Indicadores de Qualidade de Vida Calvert-Henderson (atualiza��es no site www.calvert-henderson.com) Ela participou das confer�ncias ICONS – Indicadores de Sustentabilidade e Qualidade de Vida e BOWB – Lideran�a para a Vida e para a Prosperidade Sustent�vel.

Este artigo foi traduzido por Rosa Alegria ( http://www.perspektiva.com.br ). futurista, vice-presidente do N�cleo de Estudos do Futuro da PUC-SP www.nef.org.br

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19.01.2005

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