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” O Brasil está despontando como um líder mundial em muitas dimensões além das novas estatísticas – com base em seus ativos culturais: criatividade, design, música, arte e esforços crescentes para reduzir a pobreza e criar uma democracia participativa para incluir toda a sua diversidade cidadã racial e étnica.”

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Estatísticos do mundo, uni-vos

Por Hazel Henderson

Mais de 700 estatísticos, legisladores, oficiais de governo e lideres empresariais estiveram reunidos na primeira conferencia ICONS que tratou de medir progresso sustentável, prosperidade e qualidade de vida. Precedendo essa conferência histórica, um encontro de 600 empresários promovido pela expoente associação empresarial do Paraná e seu visionário presidente Rodrigo Loures, Presidente da Nutrimental, uma importante empresa de alimentos no Brasil. A agenda: Negócios como Agentes de Benefício do Mundo – explorando investimentos e negócios socialmente responsáveis, co-patrocinados pelo Instituto ETHOS de Empresas e Responsabilidade Social, COPEL, a companhia energética do Paraná e muitas outras empresas.

Esse foco em companhias socialmente responsáveis, investimentos éticos, estatísticas econômicas em revisão e contas nacionais (PIB e PNB) tem sido encorajado pelo Ministro brasileiro Tarso Genro, da Secretaria Especial do Conselho do Desenvolvimento Econômico e Social, cujo discurso abriu a conferencia ICONS, juntamente com o Governador do Paraná. Tarso Genro foi anteriormente prefeito de Porto Alegre e iniciou várias inovações sociais – do Orçamento Participativo da cidade ao Forum Social Mundial liderado por várias ONGs, que oferece alternativas positivas para as visões do “Consenso de Washington” envolvidas no Forum Econômico Mundial em Davos, Suíça.

Ambas as arrojadas conferências articulou participantes de toda a América Latina assim como da América do norte, Europa e China. Muito impressionantes os indicadores apresentados pelos estatísticos brasileiros durante a conferencia ICONS (documentos no site www.sustentabilidade.org.br ) como os de qualidade de vida do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), da Universidade de São Paulo, da Fundação Dom Cabral, do Indice de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado do Rio Grande do Sul. Muitos institutos municipais de pesquisa foram também apresentados, incluindo indicadores de responsabilidade social da cidade de São Paulo, SEADE e o Atlas do ranking de qualidade de vida das cidades brasileiras. Curitiba, a cidade anfitriã, meca mundial do design urbano pelos seus atrativos boulevards, segunda no ranking de sistema de transporte e vegetação depois de Florianópolis, a capital costeira do Estado de Santa Catarina.

A maioria dos participantes, enquanto usuários de estatísticas econômicas, reconheceram os problemas com as mensurações macroeconômicas como o PIB e o PNB, com agregação alta demais para poder oferecer detalhamento útil da realidade mundial. Essas mensurações “sobrevoam” um país como um avião a 50,000 pés, para que a renda per capita mascare a pobreza, a exclusão social e a má distribuição entre as populações urbanas, rurais e regionais. Cada sessão organizada por grupos de empresas focalizaram na maior amplitude das questões da saúde, educação e equidade, assim como no “triple bottom line” (social, ambiental e econômico), na contabilidade corporativa, nas empresas, investimento e consumo socialmente responsáveis. O Conselho Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável colocou seu foco no meio ambiente e na eco-eficiência.

O Brasil sediou a Conferencia Eco 92 no Rio de Janeiro, em que mais de 170 governos assinaram a Agenda 21 para rever o PIB e o PNB, ampliando o seu escopo para contabilizar o capital humano, social e ambiental e os custos de carência e injustiça social – “externalidades” não concebidas pelo setor privado e ignoradas pelos economistas em voga. Somente quando esses custos são “internalizados” nos balanços governamentais e corporativos é que os preços podem refletir os custos reais, para encaminhar de forma saudável e eficiente as sociedades em direção ao desenvolvimento sustentável e qualidade de vida. Por isso, o Brasil tem liderado esse processo de criação de novos indicadores. Todas essas novas atividades tem sido aceleradas pela crescente onda de crimes corporativos nos EUA. Revelações diárias continuam a identificar fraudes, engodos em balanços financeiros e a ignorância com relação aos custos dos efeitos nocivos dessas “externalidades” na linguagem da economia.

À medida em que cresce cada vez mais a crise de confiança nos mercados de capital, o líder de mercado John B. Bogle, fundador da gigante financeira americana Vanguard Group, agora examina regularmente “O que deu errado na América Corporativa” numa série de discursos reveladores (disponíveis no website do Bogle, seu Centro de Pesquisas de Mercados Financeiros www.vanguard.com/bogle Até mesmo o repentino surto de crescimento no PIB dos EUA para 7,2% tem vida curta, porque foi robustecido pela dívida (cortes de impostos e gastos do governo que ajudaram a inflar o deficit, refinanciamento da dívida e cartões de crédito) e 1% de juros. Enquanto isso, o deficit comercial americano é de 5% do PIB – fazendo ainda despontar um enfraquecimento do dólar.

O entusiasmo de todos os participantes das duas conferencias pode estar relacionado com o sentido de isolamento no setores empresariais e governamentais que têm operado sob a economia convencional. Abordagens fragmentadas de disciplinas individuais criaram uma Torre de Babel conceitual, com uma inabilidade para ver os sistemas sociais como um todo e que agora requerem políticas integradas. Economistas, sociólogos, demógrafos, antropólogos, biólogos, estatísticos de saúde, especialistas em simulação e ecologistas, todos articulando interfaces e oportunidades para uma cooperação mais transdisciplinar.

Ao deixar esse banquete intelectual e seu espaço suntuoso, soube que a ICONS 2004 poderá ser sediada no Parlatino – Parlamento da America Latina em São Paulo em parceria com a Assembléia de Legislativa do Estado de São Paulo. Essa cidade de 16 milhões de habitantes – uma das megacidades do mundo, se equipara em tamanho a Xangai, na China. Ambas estão trabalhando para a renovação urbana, para a redução da exclusão social e da pobreza, por trabalhos decentes e ampla qualidade de vida – como foi indicado pelas apresentações na ICONS. O Professor Zhang Xin Hua da Academia de Ciências Sociais de Xangai descreveu os novos parques e os indicadores de qualidade de vida da cidade.

Discussões sobre mais conferências ICONS na Europa e na China atestaram o entusiasmo desses experts inovadores com suas “câmeras” estatísticas mais amplas revelando novos panoramas sociais, epidemiológicos e ambientais. Questões metodológicas que permearam as sessões: o que medir, como medir e que níveis – do local, municipal, corporativo ao nacional e internacional. Valores e normas culturais subjacentes às estatísticas governamentais e à contabilidade corporativa foram ressaltados, em especial relatórios de corporações sob o novo “triple bottom line” envolvendo performance econômica, social e ambiental ( www.gri.org )

Novas alianças foram estimuladas entre bancos e gestores de ativos verdes, por exemplo, o Banco Real, o Banco do Brasil e o novo Indice Bovespa de governança corporativa (que supera o índice tradicional Bovespa desde sua implementação há 2 anos atrás). A Bovespa irá também lançar o novo Índice “verde” empresas sustentáveis, similar ao Índice de Sustentabilidade Dow Jones, ao FTSE 4Good de Londres, ao Índice americano Calvin e ao Domini Social 400.

O Brasil está despontando como um líder mundial em muitas dimensões além das novas estatísticas – com base em seus ativos culturais: criatividade, design, música, arte e esforços crescentes para reduzir a pobreza e criar uma democracia participativa para incluir toda a sua diversidade cidadã racial e étnica. Como foi estabelecido pelos participantes da ICONS, estatísticos e técnicos deveriam se empenhar a comunicar seus dados amplamente – como servidores das pessoas e do processo democrático.

O Brasil irá ocupar o seu lugar no Conselho de Segurança das Nações Unidades em janeiro de 2004. Eu espero que o novo Brasil sob a liderança do Presidente Lula continue sua liderança na articulação de caminhos pacíficos por um desenvolvimento humano e por uma qualidade de vida mais sustentáveis. Essa nova revolução silenciosa de estatísticos estará desempenhando um papel-chave nessa grande transição.

Quem é Hazel Henderson

Hazel Henderson, tem seu ultimo livro recentemente editado no Brasil “Além da Globalização” pela Editora Cultrix. Ela deverá participar da conferência internacional que trará estatísticos do mundo todo para debater sobre novos indicadores de desenvolvimento sustentável e qualidade de vida, para redefinir os conceitos de progresso e prosperidade.

Hazel Henderson é uma futurista independente, colunista internacional e consultora de desenvolvimento sustentável. Como editora das publicações Futures (Reino Unidos) e WorldPaper (EUA), ela participa de muitos conselhos, inclusive do Worldwatch Institute e do Fundo Calvert de Investimento Social, onde ajudou a criar “Indicadores da Qualiodade de Vida Calvert-Henderson”. Foi assessora da National Science Foundation e dos US Office of Technology Assessment de 1974 até 1980. É autora de diversos livros, entre eles Transcedendo Economia, Construindo um Mundo Onde Todos Ganhem (publicado pela Editora Cultrix), Paradigms in Progress, Creating Alternative Futures, The Politics of the Solar Age, The United Nations: Policy and Financing Alternative e Redefining Wealth and Alternatives. Para maiores detalhes visite o site: http://www.hazelhenderson.com

Modelando Uma Economia Global Sustentável

Neste livro, além da Globalização, Hazel Henderson faz uma critica à globalização especulativa, que ocorre à custa dos empreendimentos e das formas de vida mais locais e reais. Ela defende o uso do pensamento sistêmico e de uma abordagem mais holística como caminhos para a ruptura com o pensamento econômico convencional, preso a uma visão estreita de mercados e de PIB. Ao mesmo tempo, a autora oferece uma nova visão panorâmica das mudanças necessárias para uma nova economia global que promova a justiça e a sustentabilidade em todo os níveis , do pessoal e local ao global. Para comprar

Versão para o português deste artigo: Rosa Alegria é Pesquisadora de tendências, graduada na Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras da USP, com curso de mestrado em Estudos do Futuro pela Universidade de Houston. co-diretora do Projeto Millenium no Brasil, iniciativa global da Universidade das Nações Unidas, vice-coordenadora do NEF – Núcleo de Estudos do Futuro da PUC-SP, membro profissional da World Future Society, Conselheira da Associação de Mulheres de Negócios de São Paulo e do Conselho Estadual da Condição. Representante de Hazel Henderson no Brasil.
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(c) Hazel Henderson, November 2003                 www.hazelhenderson.com
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